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Opinião

O relatório de marketing precisa de chegar à conversa com o cliente

Lucas Atanazio · 13 de outubro de 2026
PROMESSA → CONTACTO → ACOMPANHAMENTO
Esquema conceptual da análise; não representa dados medidos.

O relatório está bem apresentado. Mostra movimento, compara períodos e identifica canais. Do outro lado da mesa, alguém faz uma pergunta desconfortável: e o que aconteceu às pessoas que nos procuraram? Se ninguém sabe responder, a reunião pode terminar com muitas explicações sobre a campanha e pouca clareza sobre o negócio. O problema não se resolve escolhendo um gráfico mais convincente. Resolve-se acompanhando o caminho que ficou entre a atenção e o resultado.

Não defendo que toda a comunicação tenha de produzir uma venda imediata. Uma marca também precisa de ser conhecida, compreendida e lembrada. Uma ação pode ter como finalidade informar ou iniciar uma relação. O que defendo é que o objetivo seja declarado antes da avaliação. Quando o critério muda depois de se conhecerem os números, qualquer resultado encontra uma justificação. A empresa perde a oportunidade de descobrir o que funcionou e a equipa perde uma avaliação justa do trabalho.

O mesmo número pode responder a perguntas diferentes

A documentação do Google Analytics explica que a atribuição distribui crédito por interações anteriores a uma ação importante e permite configurar o modelo e a janela temporal considerados. [S1] Portanto, uma leitura de resultados exige conhecer também o critério do relatório. Essa configuração não é uma demonstração automática de que uma campanha causou uma compra. É parte da forma como o sistema organiza a informação que consegue observar.

Para quem gere, a pergunta útil vem a seguir: o que significa o evento que estamos a contar? Uma pessoa pode enviar um formulário sem estar em condições de avançar. Pode pedir uma informação que já deveria estar clara. Pode representar uma necessidade legítima que a empresa não consegue atender. Tratar todos esses contactos como equivalentes dá uma sensação de volume, mas não permite perceber se a proposta está a chegar às pessoas certas.

Também é possível olhar apenas para vendas concluídas e ignorar uma falha no atendimento. Imagine uma ação que gera pedidos pertinentes, mas esses pedidos ficam sem resposta durante demasiado tempo. É um exemplo hipotético, não a descrição de uma campanha concreta. Atribuir todo o resultado ao anúncio esconderia um problema posterior. Defender o anúncio sem examinar a qualidade dos pedidos esconderia o problema contrário. A análise precisa de atravessar a fronteira entre as equipas.

O contacto não pode desaparecer na passagem de responsabilidade

Quem prepara a comunicação precisa de saber o que acontece quando alguém responde. Quem atende precisa de compreender a promessa que levou essa pessoa a procurar a empresa. Se cada lado conhece apenas a sua parte, o cliente é obrigado a reconstruir a ligação. Repete informação, esclarece expectativas e descobre condições que não estavam visíveis. Depois a organização chama falta de interesse a um abandono que ajudou a produzir.

Uma reunião curta sobre situações concretas pode revelar mais do que uma discussão abstrata sobre a qualidade dos contactos. O pedido chegou por onde? O que a pessoa procurava? Qual foi a primeira resposta? Em que momento deixou de fazer sentido avançar? Não é necessário expor dados pessoais desnecessários para trabalhar estas questões. É necessário que exista informação suficiente, tratada de forma adequada, para distinguir um problema de comunicação de um problema de capacidade ou de acompanhamento.

Esse cuidado também impede que as equipas escolham apenas os exemplos que as favorecem. Uma venda pode tornar-se o caso apresentado repetidamente; uma experiência frustrada pode ficar escondida por não caber no relatório. O conjunto precisa de incluir situações bem resolvidas e situações que não avançaram. Sem isso, cada reunião melhora a narrativa e a operação continua a repetir a mesma dificuldade. Aprender exige aceitar informação que contraria a explicação preferida.

O desacordo sobre os resultados pode ser útil

Marketing pode dizer que a proposta não é suficientemente clara. A equipa comercial pode dizer que a campanha atrai expectativas erradas. A operação pode explicar que uma condição prometida não é sustentável. Em vez de decidir depressa qual departamento tem razão, convém reconstruir uma experiência completa. Muitas vezes o conflito está a mostrar uma incompatibilidade entre mensagens e capacidade que nenhum dos departamentos consegue resolver sozinho.

A direção tem de assumir a escolha que essa incompatibilidade exige. Pode ser necessário alterar a promessa, melhorar o atendimento, restringir o público ou rever uma condição. Cada alternativa tem consequências. Pedir apenas mais resultados mantém a contradição e aumenta a pressão sobre as mesmas pessoas. Uma meta pode orientar o trabalho; não substitui a decisão sobre o que a empresa está preparada para entregar a quem aceita a proposta.

Também importa resistir à troca permanente de ferramentas como resposta a uma pergunta mal formulada. Uma plataforma pode medir melhor uma etapa, mas não decide qual etapa interessa à empresa. Um sistema pode automatizar uma resposta, mas não torna essa resposta adequada. Antes de pedir outro painel, eu procuraria saber qual decisão o painel atual não permite tomar e que informação falta para a tomar com responsabilidade.

Medir para escolher o próximo trabalho

Uma boa avaliação deveria terminar com algo que a equipa consegue fazer e verificar. Se a dificuldade está na explicação da oferta, é possível rever essa explicação e observar os pedidos seguintes. Se está na passagem entre pessoas, pode ser necessário definir um responsável e uma condição clara de continuidade. Se está na própria proposta, nenhuma alteração de cor no anúncio substitui a conversa sobre aquilo que está a ser vendido.

Convém conservar o contexto dessas alterações. Mudar a mensagem, o público, o atendimento e o critério de medição ao mesmo tempo torna mais difícil compreender o que contribuiu para o resultado. Isso não significa congelar uma operação quando há um problema evidente. Significa reconhecer o limite da conclusão que se poderá tirar. A honestidade analítica permite agir sem transformar cada melhoria observada numa prova de causalidade que não foi estabelecida.

Eu gostaria que a reunião seguinte começasse com uma pessoa, mesmo apresentada de forma anónima, e com o percurso que essa pessoa conseguiu ou não conseguiu fazer. Depois viriam os números, para dar escala à experiência e contrariar impressões isoladas. Comunicação, atendimento e entrega pertencem à mesma relação. Quando o relatório consegue atravessar esse caminho, deixa de servir apenas para explicar o passado e passa a ajudar a equipa a trabalhar melhor no dia seguinte.

Fontes de enquadramento

  1. Google Analytics — configurações de atribuição